• Uma caixa de nós

    Só eu sei o que se passa aqui dentro. O mar é muito mais bonito que a cor de sua superfície. As ondas têm início, meio e fim. E são lindas. Ninguém é transparente. E mesmo que fossemos, nunca enxergaríamos nada.

    Palavras não desenham o que olhamos em mente. Nada nunca vai ser tão digno quanto o amor. Quando cada pequena coisa fizer sentido, sinta também. Sonhar é direcionar os passos. Vontades vêm e vão, sentimentos ficam.

    O presente é só mais uma história pra contar. Somos desnudos de certezas. Ainda que vestidos, nada é certo. O tempo é só um calculista impreciso das nossas vontades, mas coincidente das nossas verdades.

    Só eu sei o que é você aqui dentro. Quando formos um só, só nós saberemos quem somos. Sem segredos. Num mundo. Aí diremos: só eu sei o que se passa aqui dentro; o que não passa: a gente.

    E fiquemos assim, dentro. Trancados do lado de fora dessas incertezas estranhas. Confiando em nossas mãos ligadas, ligando o que se passa aqui dentro. Um olhar. Uma caixa de segredos; uma caixa de nós. E só nós saberemos o que se passa ali dentro. Aqui.

    - João Gerude

    Dec
    29
    2011
  • Deixamo-nos ser

    Deixemos a água escorrer pelas pedras. Deixemos as pequenas pedras se sedimentarem. Deixemos a chuva fazer florir. Deixemos as flores enaltecer. Deixemos o dia acordar e a noite sonhar. Deixemos a paciência contemplar o acúmulo. Deixemos os sorrisos serem nosso aguço. Deixemos o sono trazer devaneio. Deixemos de ser par. Deixemos o olhar curioso. Deixemos a guerra desse silêncio. Deixemos a pressa. Deixemos todo o mal de lado. Deixemos o mundo. Sejamos um mundo. Então, deixamo-nos ser. Quando nos encontrarmos, busquemos tudo isso no ápice da nossa deixa, o amor. E, aí, deixemos o amor viver.

    - João Gerude

    Dec
    16
    2011
  • Uma direção

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    Eu pacientemente confiro seus passos. Dou um, dois, três passos pra trás. Recuo, e acho que é a melhor forma de chegar mais perto. Acho que um pouco de silêncio é inerente ao que, às vezes, precisamos ouvir. Sem precipitações, como você mesma disse. Eu fico no aguardo, e guardo tudo o que é nosso. Nosso calar cioso se deleita em uma certeza, a que a gente jogou no ar; a que respiramos. E o que nos une usa esse espaço de tempo e vai medrando o que é pra ser; o que é nosso. Nossos passos. Uma direção.

    - João Gerude

    Dec
    14
    2011
  • Oportunidades. Abraçá-las, quando possível. Se possível, aproveitá-las. Aproveitando-as, o resto é conseqüência; êxito. Pé no chão e paciência. Ainda assim, insistência. Já dizia o poeta (Chico Buarque): “nada é pra já”.

    - João Gerude

    Nov
    27
    2011
  • E eu não vejo a hora. Minha mão vazia, a boca seca. Os dias seguem sua função: passar. A estrada é boa. Às vezes, piçarra. E o caminho é esse, é longo. É infindável mesmo depois da chegada. Meu coração, ardiloso, cauteloso e inteligente, vive e diz amor. Seu coração, sábio, verdadeiro e conturbado, diz e vive amar. E eu espero; observo; corro; amo.

    - João Gerude

    Nov
    27
    2011
  • Nós, um complemento; um encaixe ímpar

    Eu mal quero ver suas fotos. Eu lembro, mas não quero lembrar. Há uma contradição infindável, nesse meio. Tua sombra me direciona os passos, e eu nunca me vi tão perdido. O que é a distância pra quem sabe amar? É sede. Nós não fomos um corpo em um instante, mas batemos na porta um do outro. Ficando, assim, uma deixa de “volte sempre”.


    A paciência contemplou à risca de todo um quebra-cabeça. Tudo se encaixa. Inclusive a gente. O sentimento (talvez conscientemente) amarrou os braços da angustia e ansiedade. Braços que se estendiam em veneta à sede. O vago e o complemento.

    Eu não enxuguei a sinceridade por enxugar. Eu não cicatrizei o momento pra cessar a dor. A dor cessará por si só. Nós rutilamos uma pedra de lembranças e dúvidas, desejo e sentimento. Pedra, essa, que mora no escuro de todas as horas, no caminho de qualquer distância ou proximidade.


    O que nosso toque faz persuadir em toda essa trajetória? Se os nossos pensamentos se confundem entre si, é tempo de pular o tempo. Sem precipitações, o relógio entende o coração, e calcula tudo direitinho. Nossos olhos calcam todo um desejo, toda saudade de algo que está por vir.


    Nós somos segredos que se assemelham. Nós temos tudo pra ser um só segredo. Tudo não depende só da gente. Se disser que te amo, agora, não vai ter tanto valor como quando for recíproco, vivermos isso. Existe o sentimento. Ainda tem tempo pra mais. Calma. Mil palavras virão como complemento de algo que não se completa, que apenas nos observa. Nós, um complemento; um encaixe ímpar. Tudo não depende só da gente. Mas tudo vai entender do que a gente depende, e isso nós entendemos. Nos entendemos. Nos dependemos.

    - João Gerude

    Oct
    20
    2011
  • Um amor de verdade é paciente. Não suporta, não se contenta. Dói. Não idealiza, vive. Evita, mas não resiste. Não é frágil, não se quebra. Se apaixona pelo menos apaixonante. A ânsia de cada segundo contempla um dia inteiro; um mês inteiro; uma vida inteira. Quer pra já. Não quer esperar. Mas amor de verdade é paciente.

    - João Gerude

    Oct
    08
    2011
  • Ouça, não apenas ouça. As razões estão no fundo das palavras. Saboreie o que sente. Os sentimentos estão dissolvidos no fundo da alma, na superfície dos olhos. Enxergue.

    - João Gerude

    Sep
    06
    2011
  • Na palma da sua mão

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    É quando nos damos conta que o tempo passou. O que pode ter sido erro, o que vem a ser arrependimento. Percebemos que perceber é a menor das notações, que se distrair frente ao que nos interessa, faz parte de conhecer o interesse que isso nos desperta.

    Quando sentimos a vontade de um afago e quando sentimos a saudade de um afago, é diferente. Quando metemos a mão no fogo sabendo que vamos nos queimar. Cutucamos a ferida sabendo que vai doer, até que alguém a cutuque e ela se sinta pronta para cicatrizar.

    Aprendemos que aprender não se baseia só em errar e acertar, mas em mergulhar na correnteza que te faz seguir em frente, na certeza que palpita o sorriso aos dentes. Palavras têm peso, força e uma fertilidade que toca nossa imaginação, positiva ou negativamente. Ai cabe a nós saber lidar.

    Pra mim, bastou o teu olhar uma vez, e eu te olhar sempre, desde então, para que o meu mundo permanecesse em translação à rotação envolvente e fixadora do seu. Senti a minha mão pedir a sua, e o meu mundo na palma da sua mão.

    - João Gerude

    Aug
    29
    2011
  • Risos, músicas e carinhos

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    Tava rindo sozinho, aqui. Lembrando do breve comentário que eu fiz da sua boca. Você respondeu curtindo com a minha. “A minha é ‘desenhadinha’ e a sua é grande e grande…”. Quantas vezes eu me flagrei na insaciável sede de secar sua boca – não com os olhos, como eu sempre faço, mas com a boca, como um dia eu fiz.

    Esse desejo é mais que um beijo e o corpo. É compartilhar o que está contido no oxigênio que me rouba quando estamos perto. Mas nem perto estamos… Ou estamos. Se o sentimento fosse medido pela distância, eu tentava pensar em outra coisa. Mas, como não, parece que está do meu lado.

    A pressa que eu tenho é a mesma calma que eu preciso pra te ver e te sentir. Eu quero te abraçar e sentir todas as palavras que deram razão ao sentimento e que estavam jogadas apenas na saudade que respiramos.

    Você é meu sol desde o momento que eu acordei pro amor. Desde o momento em que o amor nasceu pra mim.

    Pro sono, o sonho é muito bem-vindo. Você é o sonho. Pro sono, a falta do mesmo é muito bem-vinda. Você é a insônia.

    Seu encanto é sua maior virtude. Seu canto é uma divindade. E bem no âmago do meu coração eu sinto você respirar, expirar, me fazendo transpirar, pirar. Tudo o que não foi você, que não foi o amor, foi muito fugaz.

    Tudo o que estava implícito no nosso contato, você sentiu, ouviu. Você deve lembrar agora. Você dominou tudo na inocência da minha culpa. Me invadiu e dominou feito uma irrupção, mas sutil.

    Meu riso está incólume. Talvez, não, mas por você estar sempre por trás dele. Você é o motivo perene de um desejo saciável apenas com o calor do teu amor. Calor que se contraria com o frio insolente que faz de tão longe que estás. O quão eu preciso encurtar essa distância, zerá-la.

    Outros amores parecem inócuos perto ou longe de tudo que têm sido meus dias. Dias longos e passageiros, parecem passar no modo piloto. Meu coração fica perscrutando o que não vai achar. Apesar de suscitar uma esperança, a busca acaba no abstrato e termina no concreto, a realidade.

    Eu tenho medo de tanto desejo, de tanta necessidade. Tenho medo do silêncio que caminha essa saudade. Nunca desconfiei do que sinto, mas das voltas que o mundo dá. Tenho medo de ele te levar e não te trazer de volta. Mas eu confio no que disse. E espero.

    Deixei guardados risos, músicas e carinhos. Você traz a saudade e a gente a comprime nos beijos. Cada segundo perdido de ansiedade vai ser contado em cada batida do coração. Eu sou só saudade. Eu to só vontade.

    Eu te presenteio meu coração, caso você alce vôos altos. Se não, eu ainda assim presenteio. Ele é seu há muito tempo. Aceite, apenas. Eu só quero uma oportunidade. Só quero dizer que te amo e deixar isso nas mãos de seu coração, o meu.

    - João Gerude

    Aug
    09
    2011
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Seus olhos e coração, seu universo.

Quando falta a voz e o silêncio se torna o melhor som na dimensão do sentimento, razão e coração, conhecimento, curiosidade e opinião, minha mão fala por mim, pra deixar bem claro o que eu escondo bem no escuro do subconsciente, do meu eu. É quando eu me calo e falo o que está acontecendo, independente da realidade. Espero que gostem! image


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